Um ensaio de captura de carbono realizado pela ArcelorMittal, pela Mitsubishi Heavy Industries, pela BHP e pela Mitsubishi Development Pty concluiu com sucesso a primeira fase, demonstrando a capacidade de captar dióxido de carbono (CO2) a partir do gás de topo do alto-forno. O ensaio decorreu nas instalações siderúrgicas integradas da ArcelorMittal em Gante, na Bélgica, e recorreu ao processo ‘Advanced KM CDR Process’, desenvolvido pela MHI.
A primeira fase centrou-se na captura de CO2 de uma parte do gás de topo do alto-forno e incluiu mais de 4500 horas de ensaios operacionais.
O ensaio demonstrou a viabilidade técnica da aplicação da tecnologia de captura de carbono da MHI à indústria siderúrgica, em instalações como as da ArcelorMittal em Gante. Trata-se de um ambiente industrial exigente, uma vez que o gás de topo do alto-forno, antes da combustão, contém poeiras, compostos de enxofre e outros contaminantes. Os resultados reforçam a confiança no potencial de aplicação desta tecnologia noutras unidades siderúrgicas.
O gás de topo do alto-forno contém concentrações significativas de CO2 e monóxido de carbono (CO). Nesta fase do ensaio, apenas foi capturado o CO2.
Numa unidade siderúrgica integrada, o monóxido de carbono remanescente pode ser utilizado como combustível para produzir energia e calor noutras instalações do complexo industrial. Durante a combustão, esse carbono é convertido em CO2, que é então libertado.
Com base nos resultados da primeira fase, a segunda fase vai testar a captura de CO₂ nos gases de combustão do forno de reaquecimento do laminador de tiras a quente, recorrendo a uma abordagem de pós-combustão.
Este forno utiliza uma mistura de gases provenientes de diferentes etapas do processo siderúrgico, incluindo gás de coqueria, gás de topo do alto-forno e gás de conversor a oxigénio, bem como gás natural. A composição desta mistura representa um perfil de gases de combustão distinto e constitui outra oportunidade para aplicar a tecnologia de captura de CO₂ nas operações de uma siderurgia integrada.
A segunda fase vai permitir avaliar o desempenho da tecnologia da MHI perante uma composição de gases de combustão diferente e mais variável. Os ensaios devem fornecer dados adicionais sobre a integração de sistemas de captura de carbono em vários pontos de emissão e processos de uma unidade siderúrgica integrada.
A combinação de tecnologias de captura de carbono em diferentes processos da siderurgia poderá contribuir para reduzir a intensidade das emissões associadas à produção de aço em alto-forno, aproximando-a de valores próximos de zero. Os resultados do projeto servirão de base a estudos de engenharia e de implementação atualizados, tendo em vista futuras aplicações à escala industrial.
Dando continuidade à colaboração iniciada na primeira fase do projeto-piloto, a ArcelorMittal está a acolher e a facilitar a realização dos ensaios nas suas instalações de Gante. A MHI disponibiliza o seu processo proprietário ‘Advanced KM CDR Process’ e lidera a engenharia do processo de captura de carbono e a avaliação técnica. A BHP e a MDP, principais fornecedoras de matérias-primas de elevada qualidade às operações europeias da ArcelorMittal, asseguram o financiamento do ensaio.

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