As conclusões constam das previsões económicas e do mercado siderúrgico para 2026-2027, divulgadas no início deste mês pela Associação Europeia do Aço (EuroFer), que aponta os custos energéticos elevados e a fragilidade da atividade industrial como fatores de pressão sobre o setor.
Em 2025, a produção de aço bruto na UE diminuiu 2,9%, fixando-se em 125,8 milhões de toneladas, o valor mais baixo de sempre. A tendência negativa prolongou-se nos primeiros cinco meses de 2026, período em que a produção recuou mais 1%, apesar de ter registado um crescimento homólogo de 1,1% em maio.
A taxa de utilização da capacidade produtiva subiu ligeiramente, de 65% em 2025 para 67%, mas continua reduzida em termos históricos.
No comércio externo, as exportações europeias de aço para mercados fora da UE diminuíram 20% entre janeiro e junho de 2026. A quebra abrangeu os principais destinos comerciais analisados no relatório, com reduções de 29% para os Estados Unidos, 24% para a Índia, 21% para a Turquia e 18% para a China.
Embora as importações também tenham diminuído no mesmo período, a UE mantém-se um importador líquido de aço, ou seja, continua a importar mais do que exporta.
O consumo aparente de aço cresceu 1,5% no primeiro trimestre de 2026, mas a EuroFer prevê um abrandamento acentuado ao longo do ano. Para o conjunto de 2026, a associação estima um crescimento de apenas 0,1%. Em 2027, a evolução deve ser mais favorável, com uma subida prevista de 2,3%. Ainda assim, o consumo deve permanecer cerca de sete milhões de toneladas abaixo do nível registado em 2019.
Nos setores consumidores de aço, prevê-se que a produção aumente 1,5% em 2026, após dois anos de contração. A recuperação vai ser, contudo, desigual: a construção e a engenharia mecânica deverão contribuir positivamente para a evolução da atividade, enquanto a produção automóvel deverá recuar mais 0,9%. Segundo as previsões, uma recuperação industrial mais abrangente só deve ocorrer em 2027.
A subida dos preços da energia continua a penalizar a competitividade das indústrias europeias com elevado consumo energético. De acordo com a EuroFer, os preços do gás natural na Europa oscilaram em torno de 50 euros por megawatt-hora (MWh) durante 2026, tendo atingido picos próximos de 80 euros/MWh nas semanas anteriores à divulgação do relatório. Este último valor representa um aumento de 132% face ao início do ano.
Para Axel Eggert, diretor-geral da EuroFer, a quebra das exportações, a produção reduzida e os custos energéticos persistentemente elevados demonstram que a recuperação industrial europeia continua longe de estar assegurada. O responsável considera que a nova medida comercial da UE para o setor siderúrgico constitui um primeiro passo, defendendo a necessidade de reforçar a produção, o investimento e o emprego qualificado na Europa, ao longo de toda a cadeia de valor.


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