A European Aluminium apelou à União Europeia (UE) para incluir no próximo pacote de sanções um mecanismo que impeça a entrada no mercado europeu de produtos fabricados em países terceiros com alumínio primário de origem russa.
Segundo a associação, a atual legislação permite que esse metal seja exportado para outros países, transformado em produtos semiacabados ou acabados e posteriormente comercializado na UE como sendo originário desses mercados, reduzindo a eficácia das sanções em vigor.
De acordo com a organização, embora as importações diretas de alumínio russo para a União Europeia estejam sujeitas a sanções, continua a existir uma lacuna que permite a entrada indireta desse material através de países terceiros. Na prática, o alumínio primário russo pode ser transformado em perfis, barras, varões, tubos e outros produtos semiacabados antes de ser exportado para o mercado europeu.
A European Aluminium considera que esta situação mantém uma importante fonte de receitas para a Rússia, que, segundo a associação, obteve cerca de dez mil milhões de dólares com as exportações de alumínio no último ano. Ao mesmo tempo, acrescenta, cria uma pressão concorrencial sobre os produtores europeus que deixaram de utilizar metal russo.
A associação destaca o caso da Turquia, que, em 2025, recebeu cerca de 20% das suas importações de alumínio primário da Rússia, tornando-se o segundo maior fornecedor deste país. Estas compras representaram um aumento de 5% face a 2024 e geraram mais de 800 milhões de euros em receitas para a Rússia.
Segundo a European Aluminium, esta situação assume particular relevância porque a Turquia é atualmente o maior fornecedor externo de extrudidos de alumínio da União Europeia, representando cerca de 55% das importações comunitárias destes produtos, utilizados em setores como a construção, a indústria automóvel e outras aplicações industriais.
A associação refere ainda que, em 2025, os biletes de alumínio russos – matéria-prima utilizada na produção de extrudidos – foram vendidos para a Turquia por preços cerca de 11% inferiores aos praticados nas importações equivalentes da União Europeia. Acrescenta que os extrudidos turcos exportados para o mercado europeu apresentam igualmente preços inferiores à média das importações da UE em várias categorias.
Na perspetiva da European Aluminium, esta diferença de preços favorece indiretamente a utilização de alumínio russo e pode enfraquecer a base industrial europeia do setor, numa altura em que a autonomia estratégica em matérias-primas críticas é considerada essencial para áreas como a defesa, as tecnologias de energia limpa e a resiliência industrial.
A associação alerta também para um possível agravamento deste cenário caso persistam perturbações no Médio Oriente. O Golfo Pérsico é uma das principais regiões produtoras de alumínio primário e, segundo a European Aluminium, eventuais constrangimentos na oferta ou aumentos dos preços podem levar países terceiros, como a Turquia, a recorrer ainda mais ao alumínio russo. Em 2025, cerca de 42% das importações turcas de lingotes de alumínio tiveram origem em países do Golfo.
Para evitar que o alumínio russo entre no mercado europeu após ser transformado noutros países, a European Aluminium propõe a criação de uma proibição indireta acompanhada de medidas de controlo específicas. Entre elas, defende a obrigatoriedade de declarar o primeiro e o segundo maior país de fundição, bem como o último país de vazamento do metal, a realização de controlos aduaneiros dirigidos às importações de maior risco, a monitorização dos fluxos comerciais provenientes de países que importam grandes volumes de alumínio russo e uma vigilância reforçada sobre biletes, extrudidos e outros produtos semiacabados de alumínio.


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