O projeto CleanMat - Smart Clean Aluminium Material Processing arrancou oficialmente em junho de 2026 com o objetivo de desenvolver uma abordagem integrada e de baixas emissões para a reciclagem de alumínio. Financiado pela União Europeia no âmbito do programa Horizonte Europa, o projeto conta com um orçamento de 7,3 milhões de euros, tem uma duração de 36 meses e é coordenado pela Universidade Brunel de Londres, no Reino Unido.
Segundo a Recycling Europe, o CleanMat pretende responder a alguns dos principais desafios da reciclagem convencional de alumínio, nomeadamente a dependência de fundentes perigosos e de processos de limpeza química que geram emissões significativas, incluindo partículas, compostos orgânicos voláteis, dioxinas e resíduos de escória salina. O projeto visa também melhorar a valorização de sucata mista e contaminada para a produção de ligas de elevada qualidade.
A iniciativa integra as diferentes etapas do processo de reciclagem, desde a triagem da sucata até à qualificação final das ligas. Para isso, vai recorrer a sistemas de caracterização multissensorial suportados por inteligência artificial, capazes de identificar contaminantes residuais que escapam aos métodos convencionais de separação e de garantir a qualidade da matéria-prima.
O pré-tratamento térmico em circuito fechado permite remover revestimentos e resíduos orgânicos de forma segura. Na fase de refinação, vão ser desenvolvidas duas abordagens complementares: uma destinada a fornos de indução, baseada numa utilização quase nula de fundentes, e outra adaptada a fornos rotativos, reverberativos e de cadinho, com uma utilização ultrarreduzida destes materiais.
As soluções tecnológicas em desenvolvimento incluem agitação magnetohidrodinâmica, destilação sob vácuo e condicionamento da fusão por elevado cisalhamento. De acordo com os promotores, estas tecnologias podem reduzir o consumo de fundentes em até 97%, sem comprometer a qualidade das ligas produzidas nem o rendimento dos processos.
Segundo a Recycling Europe, os resultados vão ser validados à escala industrial por parceiros dos setores automóvel e da reciclagem. O projeto inclui ainda análises de ciclo de vida, estudos técnico-económicos e avaliações nas áreas da segurança e saúde no trabalho. O desenvolvimento das soluções será igualmente alinhado com as normas europeias EN, com o objetivo de criar um modelo replicável para uma reciclagem de alumínio mais segura, circular e de baixas emissões.
O consórcio reuniu-se nos dias 22 e 23 de junho de 2026 na Universidade Brunel de Londres, sede do Centro Brunel para Tecnologias Avançadas de Solidificação, para assinalar o arranque oficial da iniciativa. Durante o encontro, os parceiros apresentaram os diferentes pacotes de trabalho, iniciaram as discussões técnicas e de implementação ao longo da cadeia de valor e visitaram as instalações de fundição e processamento onde vai ser desenvolvida e testada uma parte significativa das atividades de refinação.
Além da Universidade Brunel de Londres, o consórcio integra entidades de vários países europeus, entre as quais a RWTH Aachen, Otto Junker, Zyomax, Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, Centro Ricerche Fiat, Universidade Técnica de Delft, Ford Otosan, Fraunhofer, IRES, Doktas, GBP Metal Group, Teknopar, Alumisel, Gemmate Technologies, European Aluminium e Recycling Europe.
De acordo com a Recycling Europe, o CleanMat pretende demonstrar o potencial de uma reciclagem de alumínio mais limpa, eficiente e apoiada por tecnologias digitais avançadas, contribuindo para reforçar a liderança europeia na produção de alumínio seguro, circular e de baixas emissões.


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