Garantir o abastecimento de tungsténio tornou-se um desafio estratégico para a indústria metalúrgica europeia. “A reciclagem é hoje decisiva: devolver o carboneto cimentado ao ciclo produtivo europeu constitui uma alavanca essencial para a segurança do abastecimento e para a competitividade”, afirmou Federico Costa, presidente da Associação Europeia de Ferramentas de Corte (ECTA), durante a Conferência Europeia de Ferramentas de Corte (ECTC), realizada em maio, em Graz, na Áustria.
Atualmente, cerca de 50% do carboneto cimentado utilizado na Europa já provém de materiais reciclados, o que demonstra a relevância dos sistemas circulares existentes. No entanto, estes sistemas enfrentam uma pressão crescente: a capacidade europeia de processamento aproxima-se dos seus limites, enquanto a procura global de sucata de carboneto continua a aumentar. Consequentemente, mesmo uma economia circular robusta já não consegue satisfazer plenamente as necessidades europeias.
Por esta razão, é necessário adotar um conjunto mais amplo de medidas, incluindo o desenvolvimento de fontes primárias adicionais de tungsténio, de forma a reduzir dependências e diversificar o abastecimento.
Este esforço deve ser acompanhado por preços de energia competitivos e por um enquadramento regulamentar mais simples, harmonizado e de aplicação mais consistente em toda a Europa. Só assim será possível estimular o investimento e viabilizar uma reciclagem eficiente em larga escala. Atualmente, a complexidade dos requisitos regulamentares e as diferentes interpretações da legislação limitam o aproveitamento efetivo do potencial de reciclagem, nomeadamente nos processos de licenciamento, classificação e tratamento dos materiais.
“Por exemplo, não faz sentido tratar os resíduos de carboneto de elevada qualidade da mesma forma que as lamas contaminadas com óleo e fluido de refrigeração”, sublinhou Costa. “Estes fluxos de materiais apresentam características e perfis de risco muito distintos, exigindo abordagens diferenciadas.”
Enquanto as lamas contaminadas requerem medidas específicas para responder às exigências ambientais e de saúde pública, os resíduos de carboneto constituem uma matéria-prima valiosa que pode ser reintegrada de forma segura e eficiente no ciclo industrial.
É necessário agir para evitar que regulamentações excessivamente complexas comprometam o potencial da reciclagem, numa altura em que volumes significativos de sucata continuam a sair da Europa, agravando as restrições ao abastecimento. Garantir um fornecimento seguro de tungsténio é, por isso, uma responsabilidade partilhada entre a indústria e os decisores políticos.
A Associação Europeia de Ferramentas de Corte (ECTA) representa os fabricantes europeus de ferramentas de corte e sistemas de fixação. A associação organiza conferências mundiais de três em três anos, conferências europeias anuais e diversos eventos setoriais em diferentes locais.


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