A Hypermetal, empresa sediada em Vila Nova de Gaia, garantiu um financiamento de três milhões de euros e está a desenvolver contactos com a francesa Dassault Aviation para possíveis colaborações no setor da defesa e do espaço, incluindo componentes para caças e projetos orbitais.
A Hypermetal, fabricante portuguesa de motores de foguetão com sede em Vila Nova de Gaia, angariou três milhões de euros junto dos investidores Inspire Capital e RHC Capital, avançando com uma estratégia de financiamento faseado para sustentar o seu crescimento, revela o Jornal Económico.
Citado por este meio, Afonso Nogueira, CEO da empresa, refere que este montante permite executar a fase atual do plano de negócios, e está alinhado com as necessidades imediatas da operação. A meta inicial apontava para cinco milhões de euros, valor que poderá ainda ser atingido em fases posteriores, dependendo da evolução dos projetos em curso.
A empresa tem em curso diversas iniciativas com grandes grupos industriais, ainda não identificados, abrangendo aplicações nos setores da defesa, civil e espacial. Apesar do percurso inicial fortemente ligado ao espaço – que representa mais de 70% da faturação –, o segmento da defesa tem vindo a ganhar relevância e poderá tornar-se predominante no 'pipeline' atual.
Em paralelo, a Hypermetal está a aprofundar contactos com a Dassault Aviation, abrindo caminho a potenciais colaborações tanto no domínio espacial como na defesa. Entre os projetos em análise está o Vortex, um veículo orbital reutilizável, no qual a empresa portuguesa poderá vir a integrar um consórcio europeu, cuja composição deverá ser definida no segundo semestre do ano.
No setor da defesa, as conversações incluem a possibilidade de fornecimento de componentes e serviços de manutenção associados aos caças Rafale ou Eurofighter, caso Portugal venha a optar por uma destas plataformas na substituição dos F-16. A Dassault demonstra interesse em integrar capacidades industriais locais, potenciando o retorno económico no país.
A Hypermetal participa ainda em consórcios europeus ligados à Agência Espacial Europeia (ESA), respondendo a convites para apresentação de propostas (ITT) e ao programa GSTP (General Support Technology Programme), reforçando a sua presença no ecossistema espacial europeu.
Além disso, lidera um projeto de investigação e desenvolvimento na área da fusão nuclear, em parceria com o Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) e o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI). Designado TAMFA, o projeto tem um investimento total de 1,447 milhões de euros, dos quais 970 mil são financiados por fundos europeus no âmbito do Portugal 2030, e foca-se na fabricação aditiva de tungsténio para aplicações em reatores de fusão.
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