A indústria metalomecânica está a contestar o acordo provisório alcançado entre o Conselho da União Europeia e o Parlamento Europeu para o setor do aço, alertando para impactos negativos na competitividade e no equilíbrio da cadeia de valor.
Em declarações ao Eco/Capital Verde, a diretora-geral da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), Mafalda Gramaxo, afirma que as medidas previstas – como a limitação das importações e o agravamento de tarifas – podem encarecer o acesso ao aço, uma matéria-prima essencial, com efeitos diretos na produção, inovação e exportações.
A responsável defende que o novo regime protege a siderurgia, mas penaliza a indústria transformadora, que concentra a maior parte do emprego no setor, alertando para o risco de deslocalização de produção e de desindustrialização.
Também em declarações ao Eco/Capital Verde, o porta-voz da Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Electromecânicas (ANEME), Mário Carvalho, considera que o acordo agrava os custos e o contexto competitivo da indústria, sobretudo num cenário já marcado por dificuldades no acesso a matérias-primas e mão de obra.
O novo enquadramento inclui ainda o princípio 'melt and pour', que determina a origem do aço, mas, segundo os representantes do setor, não resolve as distorções do mercado, uma vez que produtos transformados fora da União Europeia podem continuar a entrar sem as mesmas restrições.
As associações defendem, por isso, a revisão das medidas, alertando que o atual modelo pode fragilizar a indústria transformadora europeia.
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