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Informação profissional para a indústria metalomecânica portuguesa
A digitalização não se limita à unidade de produção, estende-se a todo o ecossistema industrial

Revolução digital: como as tecnologias disruptivas estão a transformar a produção aeroespacial

Katarzyna Kalisz, diretora de operações para a Europa de Leste da JPB Système

22/04/2026
A digitalização das operações de produção pode trazer benefícios transformadores para as empresas que atuam na cadeia de fabrico e abastecimento da indústria aeroespacial. Neste artigo, explicamos onde e como as tecnologias inovadoras da Indústria 4.0, como a inteligência artificial e a robótica industrial, fazem a diferença – inclusive quando complementam, em vez de substituírem, o trabalho humano.

A empresa de análise e consultoria Deloitte referiu recentemente[1] que a indústria aeroespacial tem potencial para adotar de forma generalizada diversas tecnologias, incluindo a inteligência artificial. Este cenário é inequívoco: a atual transição digital no setor vai muito além da eficiência operacional, abrindo caminho ao reforço da resiliência e à garantia de competitividade a longo prazo. A IA e os sistemas avançados de dados não só permitem otimizar a produção, como também ajudam as empresas a antecipar disrupções, assegurar a rastreabilidade integral e reforçar a fiabilidade da cadeia de abastecimento. Paralelamente, as ferramentas digitais promovem a inovação contínua, permitindo uma adaptação mais ágil às exigências dos clientes e a introdução progressiva de soluções mais inteligentes, seguras e sustentáveis.

As ferramentas digitais promovem a inovação contínua...
As ferramentas digitais promovem a inovação contínua, permitindo às empresas adaptarem-se mais rapidamente às necessidades em constante evolução dos clientes.

Do ponto de vista da minha empresa, participamos ativamente em diversas iniciativas tecnológicas orientadas para a indústria do futuro e temos vindo a intensificar, já há algum tempo, os nossos esforços de digitalização. Este percurso levou-nos a recorrer à robótica e às tecnologias de informação para automatizar processos produtivos, monitorizar o progresso do fabrico e armazenar registos detalhados, incluindo registos fotográficos associados à rastreabilidade dos produtos.

Um dos principais objetivos desta transformação é otimizar os processos produtivos, assegurando uma recolha e análise de dados contínuas e fiáveis, com impacto direto no planeamento, monitorização e rastreabilidade. Neste contexto, a nossa solução interna KeyProd tem desempenhado um papel fundamental, permitindo a recolha de dados de produção em tempo real. Para mim, e para outros gestores de empresas industriais, esta transformação proporciona informação extremamente valiosa, essencial para a tomada de decisões e melhoria contínua. A análise destes dados permite identificar áreas de otimização adicionais com elevado grau de precisão. Além disso, através do nosso gémeo digital, conseguimos simular diferentes cenários e otimizar os fluxos de produção e entrega.

Ainda assim, persiste uma grande assimetria no setor: muitas empresas continuam sem acesso estruturado aos seus próprios dados. Quando estes não se encontram centralizados e devidamente arquivados para permitir análise retrospetiva, torna-se inviável tirar partido eficaz da inteligência artificial.

As empresas que já dispõem de capacidades avançadas de análise de dados estão melhor posicionadas para otimizar o planeamento da produção, aumentar a eficiência na utilização de materiais e reduzir desperdícios, contribuindo simultaneamente para uma gestão mais eficiente do consumo energético. No nosso caso, isto traduz-se não só numa maior eficiência operacional, mas também numa contribuição concreta para a sustentabilidade e para os objetivos de descarbonização. A digitalização deixou de estar associada apenas à produtividade, assumindo igualmente um papel central na responsabilidade ambiental, assegurando que a indústria aeroespacial evolui em alinhamento com as metas ambientais.

Na minha experiência, a digitalização ultrapassa claramente o perímetro da fábrica, estendendo-se a todo o ecossistema industrial. A capacidade de partilhar dados de forma segura entre fabricantes, fornecedores e clientes promove maior transparência e confiança ao longo de toda a cadeia de abastecimento. Tenho observado diretamente como esta capacidade reforça a colaboração entre parceiros, melhora a antecipação de riscos e contribui para sistemas produtivos mais resilientes. Num setor onde atrasos ou disrupções podem ter impactos significativos, este nível de integração constitui uma verdadeira transformação estrutural.

Katarzyna Kalisz é diretora de operações para a Europa Oriental da JPB Système...
Katarzyna Kalisz é diretora de operações para a Europa Oriental da JPB Système, fabricante internacional de soluções tecnológicas para melhoria da eficiência nos setores aeroespacial e industrial.

O fator humano

Apesar de todos os avanços tecnológicos, a tecnologia, por si só, nunca será suficiente. Para maximizar o seu potencial, a digitalização deve ser integrada de forma eficaz com o fator humano. A indústria aeroespacial assenta na precisão, na experiência e na confiança, pelo que é essencial que os colaboradores se sintam seguros e apoiados na utilização destas novas ferramentas.

Uma implementação adequada da tecnologia permite alcançar este equilíbrio. Ao automatizar tarefas repetitivas ou de baixo valor acrescentado, as empresas podem libertar recursos humanos para funções de maior impacto, promovendo simultaneamente o desenvolvimento de competências e valorizando o contributo da capacidade de decisão humana. Assim, a digitalização não se limita à eficiência: assume-se como um verdadeiro catalisador de crescimento, potenciando o contributo individual e promovendo uma força de trabalho mais qualificada, motivada e resiliente. Do ponto de vista empresarial, a valorização das competências e a progressão para funções de maior valor acrescentado contribuem também para a retenção de talento.

Neste contexto, a digitalização de determinados processos produtivos pode ajudar a mitigar a escassez de mão de obra qualificada que afeta o setor. A requalificação de trabalhadores para funções mais especializadas torna-se uma solução eficaz. Na nossa experiência, isso levou-nos, por exemplo, a reconverter colaboradores anteriormente afetos a tarefas de montagem para funções como a soldadura especializada. Na JPB Système, reconhecemos há muito que investir em formação, requalificação e envolvimento das equipas é tão importante como investir em tecnologia.

É expectável que a digitalização continue a impulsionar a procura de novas competências em áreas como análise de dados, manutenção de sistemas robotizados e otimização de processos – competências que vão moldar o futuro da indústria. Esta combinação entre tecnologia e desenvolvimento humano reforça a competitividade e aumenta a capacidade de atração de talento num mercado exigente. Para muitos profissionais, trabalhar num ambiente tecnologicamente avançado, alinhado com os princípios da Indústria 4.0, constitui um fator diferenciador face a organizações menos evoluídas neste domínio. As empresas que apostam na digitalização posicionam-se, assim, com uma vantagem competitiva na atração e retenção de talento, com impacto direto na sua produtividade.

Ainda que a digitalização possa contribuir para atenuar dificuldades de recrutamento em determinadas funções, não substituirá integralmente a necessidade de recursos humanos qualificados. Na prática, a experiência da JPB Système demonstra precisamente o contrário: sempre que integramos novos sistemas robotizados, reforçamos também as nossas equipas. É um equilíbrio claro – os humanos precisam dos robôs, e os robôs precisam dos humanos.

[1] Perspetivas do setor aeroespacial e de defesa para 2025.

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