A adoção generalizada da inteligência artificial e a reorganização das estruturas operacionais deverão marcar a evolução da indústria transformadora em 2026. Segundo um relatório da Industrial and Financial Systems (IFS), as empresas do setor enfrentam um contexto de incerteza económica, pressões geopolíticas, escassez de talento e exigências crescentes em matéria de sustentabilidade, fatores que estão a impulsionar uma transformação profunda na forma como as organizações produzem, planeiam e tomam decisões.
O setor industrial inicia o novo ano num cenário de incerteza e de mudanças estruturais. Segundo o relatório ‘Tendências e previsões para a indústria transformadora em 2026’, as empresas industriais devem avançar para uma integração mais profunda da inteligência artificial nas suas operações, com o objetivo de aumentar a produtividade e adaptar-se a um ambiente económico e tecnológico cada vez mais complexo.
“O próximo ano será definido pela ação disciplinada: menos projetos-piloto isolados e mais implementações ligadas aos modelos operacionais reais das empresas”, afirma Maggie Slowik, diretora global de indústria para o setor da indústria transformadora na IFS. O relatório aponta para uma mudança progressiva na forma como as empresas organizam o trabalho, gerem os seus processos e tomam decisões.
Durante 2026, os fabricantes mais avançados começam a redesenhar as suas organizações para reduzir fricções internas e facilitar a circulação de informação entre departamentos, com o objetivo de acelerar a tomada de decisões.
Para além do cumprimento das exigências regulamentares, a monitorização do impacto ambiental será progressivamente integrada nos processos operacionais.
“Graças à IA, os fabricantes vão poder monitorizar em tempo real o consumo de energia, as emissões e os resíduos, integrando a sustentabilidade nos mesmos ciclos de planeamento e otimização que o resto da operação”, explica Andrew Burton, diretor de indústria da IFS para o setor da indústria transformadora.
A produtividade industrial também vai ser influenciada pela crescente colaboração entre trabalhadores, sistemas de inteligência artificial e robótica avançada. Perante a escassez estrutural de talento, a utilização de robôs humanoides e móveis nas fábricas começará a generalizar-se como apoio às equipas humanas, assumindo tarefas operacionais que atualmente limitam a capacidade produtiva.
“O grande desafio para os fabricantes não é a tecnologia – que já demonstrou a sua maturidade – mas a capacidade de evoluir os modelos operacionais ao mesmo ritmo”, afirma Gonzalo Valle, diretor de pré-vendas da IFS Iberia.
“A produtividade industrial desacelerou de forma preocupante: segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os ganhos anuais passaram de 2–3% no início dos anos 2000 para menos de 1% atualmente. Após anos de investimento em transformação digital, muitos fabricantes questionam-se por que razão a produção não acompanhou esse mesmo ritmo”, acrescenta.
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