Nos últimos 20 anos, as indústrias europeias intensivas em energia reduziram em 42% as emissões de gases com efeito de estufa (GEE). No entanto, este progresso abrandou na última década e os custos externos associados à poluição mantêm-se elevados, atingindo cerca de 73 mil milhões de euros anuais, segundo um briefing publicado pela Agência Europeia do Ambiente (AEA).
O documento, publicado esta quarta-feira, 25 de fevereiro, analisa tendências e projeções relativas a poluentes atmosféricos e descreve caminhos tecnológicos para acelerar a descarbonização, prevenir a poluição e reforçar a circularidade no âmbito do ‘Clean Industrial Deal’.
De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, além da redução de 42% nos GEE, registaram-se quebras de 63% nas emissões de SOx, 55% nos NOx, 62% nas dioxinas e 64% no níquel ao longo das últimas duas décadas. Ainda assim, a evolução perdeu ritmo nos últimos anos.
Entre 2012 e 2021, os custos externos associados às indústrias intensivas em energia diminuíram 23%, mas em 2021 ultrapassavam os 73 mil milhões de euros, sobretudo devido a impactos na saúde humana.
O setor dos minerais não metálicos – que inclui cimento, cal, vidro e cerâmica – concentrou 31% desses custos, seguido dos metais ferrosos (24%) e dos produtos químicos (19%). O dióxido de carbono foi responsável por 58% dos custos externos totais, enquanto NOx e dióxido de enxofre representaram 12% e 11%, respetivamente. A Agência Europeia do Ambiente identifica ainda zonas com maior pressão, como a Flandres, o norte de França, a região do Ruhr e áreas da Polónia.
As indústrias intensivas em energia – ferro e aço, cimento e cal, alumínio, pasta e papel, vidro e argila, e químicos – representam 19,7% do Valor Acrescentado Bruto da indústria transformadora da União Europeia e mais de 60% do consumo energético do setor. Apesar da redução das emissões, continuam a ser responsáveis por 27% dos GEE industriais e por mais de 60% de alguns poluentes específicos, como o chumbo e os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.
A análise da Agência Europeia do Ambiente indica que, entre 2005 e 2023, as emissões de GEE destas indústrias desceram 42%, mantendo-se relativamente estáveis em percentagem do total europeu (de 16% para 14%). O abrandamento entre 2013 e 2021 contrasta com reduções mais expressivas nos dois últimos anos, sobretudo nos setores do alumínio, pasta e papel e químicos.
Para alcançar cortes adicionais, a agência defende a plena aplicação da legislação ambiental e transformações estruturais nos processos produtivos. A eletrificação, a utilização de matérias-primas secundárias e a melhoria da eficiência surgem como vias com benefícios simultâneos para o clima e para a qualidade do ar, embora impliquem investimentos elevados e potenciais riscos, como maior pressão sobre redes elétricas ou aumento indireto de determinados poluentes.
O briefing sublinha que uma abordagem integrada – combinando descarbonização, prevenção da poluição e economia circular – poderá maximizar ganhos ambientais, sanitários e de competitividade. Segundo a Agência Europeia do Ambiente, compreender as sinergias e os eventuais efeitos adversos das diferentes opções tecnológicas será determinante para orientar o investimento e reduzir os custos sociais associados à atividade industrial.
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