Os pedidos de máquinas-ferramenta fabricadas em Itália caíram 13,6% no quarto trimestre de 2025 em relação ao período homólogo, de acordo com o Centro Studi & Cultura di Impresa da Ucimu-Sistemi per Produrre (Ucimu). O indicador situou-se em 68 pontos, tomando como base 100 o ano de 2021. A contração afetou tanto o mercado italiano como o internacional, com maior intensidade neste último.
No mercado interno, as encomendas recuaram 2,9% em comparação com o quarto trimestre de 2024, para um índice absoluto de 56,3. No mercado externo, a queda foi de 17,1%, com um índice de 69,3. Apesar do resultado do último trimestre do exercício, o balanço anual de 2025 fechou com um aumento de 3,1% na entrada de encomendas, graças ao desempenho positivo dos três primeiros trimestres. No conjunto do ano, o índice atingiu 67,6 pontos. As encomendas nacionais cresceram 38,9% em termos anuais, com um índice de 55,1, enquanto as estrangeiras diminuíram 9,4%, situando-se em 76,4.
Riccardo Rosa, presidente da Ucimu, afirma: “O resultado global da captação de encomendas para 2025 está em linha com o dos últimos dois anos e, portanto, volta a ser dececionante”. Em relação ao último trimestre, acrescenta: “É evidente que o abrandamento da atividade nos mercados externos não foi acompanhado por uma recuperação substancial no mercado interno”. Sobre o mercado italiano, salienta que “o plano 5.0 não funcionou como deveria” e explicou que as interrupções na sua aplicação provocaram uma evolução irregular da procura até à sua conclusão em dezembro.
O presidente da associação indica que o setor aguarda os decretos de aplicação da nova medida destinada a apoiar os investimentos em novas tecnologias até 2028 e sublinhou a necessidade de que sejam aprovados rapidamente para trazer certeza. No âmbito internacional, Rosa aponta a instabilidade geopolítica, os conflitos abertos, a política comercial dos Estados Unidos, a crise do setor automóvel e da Alemanha, bem como as limitações em mercados como a Rússia e a China, como fatores que condicionaram a atividade exportadora.
Em relação aos acordos comerciais, avalia positivamente a assinatura do tratado de comércio livre entre a União Europeia e a Índia, país que, com 135 milhões de euros em exportações italianas de máquinas-ferramentas, robôs e automação nos primeiros nove meses de 2025, se posiciona como o quarto mercado de destino.
Considerou também que a eliminação da ordem ‘Omnibus’, que vinculava a importação de maquinaria à obtenção de uma licença específica, pode favorecer a atividade nesse mercado. Por outro lado, classificou como negativa a decisão de adiar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, na expectativa de uma avaliação judicial, considerando que afeta a competitividade da indústria transformadora europeia.
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