Apesar da queda da produção na Europa e no Japão, a EMO Hannover 2025 destacou a capacidade de adaptação da indústria das máquinas-ferramenta, impulsionada pelo consumo interno nos EUA e pelo forte crescimento da Índia, reforçando a importância da cooperação e da inovação verde e digital para o futuro da manufatura.
A EMO Hannover 2025 tornou-se palco de união para associações de máquinas-ferramenta de todo o mundo, num momento em que o setor enfrenta um cenário marcado por incertezas geopolíticas, pressões económicas e queda da produção. Ainda assim, a feira demonstrou a capacidade da indústria para se adaptar e inovar, colocando a cooperação e a sustentabilidade como pilares estratégicos para o futuro da manufatura.
Na conferência de imprensa da Cecimo — a associação europeia que congrega os fabricantes de máquinas-ferramenta — o presidente François Duval sublinhou que, apesar das diferenças regionais, os objetivos comuns são claros: “criar um melhor ambiente de negócios, expandir mercados globais, enfrentar a escassez de competências e impulsionar a inovação através de tecnologias verdes e digitais”.
François Duval, presidente da Cecimo.
Marcus Burton, presidente do Comité Económico da Cecimo, apresentou dados que confirmam as dificuldades vividas pelo setor europeu. A produção de máquinas-ferramenta caiu 9,2% em 2024, para 25,1 mil milhões de euros, e as projeções apontam para uma nova quebra de 8,6% em 2025. Com isso, a quota europeia na produção mundial deverá encolher para 31,5% este ano.
O consumo também segue em queda: menos 16% em 2024 e com nova descida prevista de 3,6% em 2025. Ainda assim, o índice de encomendas da Cecimo registou uma subida de 6% em termos homólogos no segundo trimestre de 2025, sinal de recuperação assente sobretudo na procura externa. “Apesar dos últimos dois anos negativos, 2026 deverá trazer melhores resultados, com crescimento nas encomendas e no consumo”, referiu Marcus Burton.
O presidente da Associação Japonesa de Construtores de Máquinas-Ferramenta (JMTBA), Kazuo Yuhara, por seu lado, destacou um decréscimo da procura doméstica de 7,4% em 2024, embora a procura externa tenha subido 3,4%. A produção de máquinas de corte de metal caiu 14,3%, fixando-se em 901,3 mil milhões de ienes — abaixo da fasquia de um bilião pela primeira vez em três anos. Também as exportações e importações recuaram, 8,3% e 11,5% respetivamente. Apesar deste cenário misto, os primeiros dados de 2025 revelam sinais positivos, com encomendas e exportações em alta.
Já nos Estados Unidos, o presidente da AMT — Association for Manufacturing Technology — Douglas K. Woods, destacou o forte crescimento do consumo interno em 2024, com uma subida de 12% face ao ano anterior. Este dinamismo deve-se à procura crescente nos setores aeroespacial e de defesa, à aposta na produção doméstica (reshoring) e ao investimento estrangeiro direto. Para 2026, a expectativa é de estabilidade, ainda que com algum abrandamento nas encomendas devido a custos de financiamento elevados e riscos geopolíticos persistentes.
A Índia foi outro dos destaques da EMO 2025. Segundo Jibak Dasgupta, diretor-geral e CEO da IMTMA, o país registou um crescimento do PIB de 6,5% em 2024-25, atingindo os 4,19 biliões de dólares, com previsões de manter o mesmo ritmo até 2029. O consumo de máquinas-ferramenta atingiu 3,7 mil milhões de dólares, impulsionado sobretudo pelo setor automóvel, que representa quase metade da procura. Outros setores relevantes incluem a engenharia geral, moldes, construção e equipamentos agrícolas. “A Índia representa uma oportunidade única de colaboração e investimento internacional”, sublinhou Dasgupta.
Apesar dos contrastes regionais — com a Europa e o Japão em retração, os EUA em expansão e a Índia em franco crescimento —, a EMO Hannover 2025 mostrou que a cooperação internacional e a aposta em tecnologias verdes e digitais são fundamentais para garantir a resiliência da indústria.
Num setor altamente exposto às tensões comerciais e às mudanças geopolíticas, os líderes globais concordaram que a inovação, a qualificação de talentos e a adaptação às novas exigências ambientais serão determinantes para assegurar o futuro das máquinas-ferramenta e, por consequência, da manufatura mundial.
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