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Entrevista com Teixeira Bicho, gerente da Sucursal Portuguesa da Fagor Automation

“Os moldes representam o Portugal tecnologicamente mais evoluído”

24/10/2022

A Sucursal Portuguesa da Fagor Automation, fabricante de sistemas de automatização e controlo de máquinas, celebra este ano o seu 25º aniversário. Nesta entrevista comemorativa, Teixeira Bicho recorda os primeiros anos da empresa em Portugal, numa altura em que poucos sabiam o que era um CNC. Um quarto de século depois, o responsável pela sucursal portuguesa destaca a extraordinária evolução a que assistiu quer na indústria de moldes, quer entre os fabricantes de máquinas-ferramenta que, hoje, exportam alta tecnologia para todo o mundo.

Teixeira Bicho está à frente da Sucursal Portuguesa da Fagor Auromation desde 1997, ano em que a empresa se instalou em Portugal...

Teixeira Bicho está à frente da Sucursal Portuguesa da Fagor Auromation desde 1997, ano em que a empresa se instalou em Portugal.

A Sucursal Portuguesa da Fagor Automation celebra este ano o seu 25º aniversário. Em 1997, que razões levaram a empresa a instalar-se em Portugal?

A Fagor Automation é uma empresa de âmbito global que se interessou pelo mercado português devido ao rápido e consistente crescimento da indústria dos moldes e consequente importação de máquinas-ferramenta. Estas máquinas-ferramenta incorporam o ‘pack’ tecnológico que a Fagor Automation fabrica, nomeadamente CNCs, servo-motores e respetiva eletrónica de potência e sistemas de medida lineares e angulares, incrementais, codificados ou absolutos.

Um quarto de século é um marco assinalável na história de qualquer empresa. Na sua opinião, que fatores contribuíram para esta longevidade?

Para além da inegável qualidade e fiabilidade dos produtos da Fagor Automation, a proximidade com o cliente é decisiva. A Fagor Automation-Sucursal Portuguesa, tem a sede em Leça da Palmeira (junto à Exponor) e uma filial, que esteve em Leiria entre 1997 e 2018, e que desde esse ano, se encontra em Albergaria/Marinha Grande. Desta forma, conseguimos apoiar de muito perto as zonas geográficas mais povoadas de moldistas, em Portugal.

Que produtos começaram por comercializar em Portugal? E como é que o vosso portefólio evoluiu daí para cá?

A Fagor Automation mantém a linha de produtos, que evoluiu e está em constante atualização e desenvolvimento, aproveitando as novas tecnologias ao longo dos anos. O hardware e software que compõem os produtos fabricados pela Fagor Automation representam o Estado da Arte à época, porque estão sempre no limite da tecnologia de maquinação, com a constante procura do binómio, rapidez de maquinação versus qualidade.

Que tipologia de empresas constituem hoje o universo de clientes nacionais da Fagor Automation?

A Fagor Automation-Sucursal portuguesa serve três grandes grupos de clientes:

  • Utilizadores de tecnologia Fagor: pessoas que usam e trabalham máquinas equipadas com Fagor no seu dia-a-dia, promovendo a tecnologia e explorando as performances do produto Fagor e que contam com apoio de assistência técnica profissional;
  • Distribuidores: apoiamos as empresas portuguesas importadoras de máquina-ferramenta com material Fagor;
  • Fabricantes e retrofitters: ajudamos os fabricantes nacionais de máquinas-ferramenta ou retrofitters a construir máquinas de topo mundial, com o material Fagor, para que possam colocar no mercado soluções inovadoras ao serviço dos utilizadores.
O sistema CNC Quercus é um dos exlibrís da Fagor Automation, especialmente desenvolvido de acordo com os conceitos da indústria 4.0...

O sistema CNC Quercus é um dos exlibrís da Fagor Automation, especialmente desenvolvido de acordo com os conceitos da indústria 4.0.

O seu percurso na empresa começa logo em 1997?

Sim, depois de nove anos como responsável numa empresa concorrente, na área do CNC, abracei o projeto de iniciar a sucursal da Fagor Automation em Portugal.

Nessa época, a quota de mercado da Fagor era incipiente, pelo que, iniciar a sucursal seria uma tarefa muito aliciante pela perspetiva de crescimento no mercado português, onde somos líderes destacados em tecnologia, presença e recursos técnicos.

Recorda-se dos principais desafios que teve de enfrentar nos primeiros tempos?

Em 1997, tudo era manifestamente diferente, quer nos clientes - praticamente não existiam zonas industriais como as conhecemos hoje e muito menos pavilhões da qualidade atual -, quer na disponibilidade de quadros técnicos qualificados. Era muito difícil encontrar pessoal de engenharia devidamente formado (esse é, de resto, um problema que ainda se mantém). Isto porque, à época, o CNC era praticamente desconhecido nas universidades e os centros de formação, como o Cenfim, ainda estavam a dar os primeiros passos neste campo.

Por seu lado, os moldistas ainda trabalhavam muito manualmente. As empresas tinham receio de enveredar por máquinas CNC, até porque não havia operários especializados em programação deste tipo de equipamentos. Operar uma máquina de CNC a 5 eixos, então, era impensável.

O nosso trabalho foi divulgar, formar, apoiar e resolver todo o tipo de problemas que demonstrassem que não havia alternativa às máquinas-ferramenta CNC e, obviamente, fornecer o apoio técnico pós-venda de proximidade.

Tem, portanto, uma longa ligação à indústria de moldes portuguesa, ainda que indireta. Como avalia a evolução do setor ao longo dos anos?

Numa palavra, fantástica! Quero tirar o chapéu a todos os empresários e trabalhadores das empresas de moldes, bem como aos fornecedores das mais diversas áreas e origens e centros de formação da metalomecânica, porque, todos em conjunto, conseguiram fazer da indústria dos moldes em Portugal um oásis a todos os níveis. Os moldes, têxtil, calçado e alguns mais, representam o Portugal tecnologicamente mais evoluído, a nível mundial.

Podemos dizer que esta indústria, pelo seu dinamismo, foi determinante para o aparecimento de outras, como a dos fabricantes de máquinas-ferramenta?

Sem dúvida! A indústria dos moldes permitiu que se detetasse a falta de determinadas máquinas e tecnologias e impulsionou o renascimento dos fabricantes de máquina-ferramenta em Portugal. Empresas que, no virar do milénio, tinham desaparecido ou que praticamente só faziam máquinas convencionais, agora fazem máquinas CNC, com a tecnologia mais avançada, e exportam para todo o mundo. Quero aliás, aproveitar a oportunidade para, em nome da Fagor Automation, agradecer publicamente o facto destes fabricantes terem acreditado em nós e de nos elevarem diariamente.

A indústria dos moldes permitiu que se detetasse a falta de determinadas máquinas e tecnologias e impulsionou o renascimento dos fabricantes de máquina-ferramenta em Portugal

Hoje, que percentagem detém os Fabricantes de Equipamento Original no vosso volume de faturação? A reconstrução de equipamentos continua a ocupar um lugar importante?

O aparecimento dos fabricantes de máquinas-ferramenta em Portugal permitiu que o volume de faturação das empresas que comercializam CNC no nosso País aumentasse, embora sempre para níveis residuais quando comparados com o resto da Europa. No nosso caso, estas empresas são responsáveis pelo maior volume de faturação, logo seguidos pelo retrofiting e assistência técnica.

Os processos de fabrico aditivo têm vindo a ganhar terreno na indústria. Esta é também uma aposta da Fagor Automation. Que razões levaram a empresa a entrar neste mercado?

A Fagor Automation está sempre atenta à evolução do mercado da máquina-ferramenta e às novas tendências. A capacidade de adaptação do nosso CNC a novas aplicações é notável e apostar nesta tecnologia é um passo natural. Pretendemos atender as necessidades de máquinas híbridas que, numa só máquina, podem combinar processos subtrativos (como a fresagem) com processos aditivos, seja por deposição de pó metálico ou por deposição por fio e arco elétrico.

Além dos produtos que fornece, que outras valências oferece a Fagor Automation ao mercado nacional?

Empresas multinacionais de prestígio e com produtos diferenciadores como a Fagor Automation-sucursal portuguesa, representam crescimento e inovação para o nosso País, pelos produtos e tecnologias que comercializam. Os nossos colaboradores lidam diariamente com uma tecnologia que não se divulga muito nas universidades (felizmente há algumas boas exceções) e à qual dificilmente teriam acesso a não ser nestas empresas.

Também os nossos clientes formam técnicos nestas áreas e o processo continua em crescendo, com a eventual instalação futura de empresas nacionais de elevado índice tecnológico. As multinacionais por sua vez, também beneficiam da excelente qualidade dos trabalhadores nacionais, incorporando, como é o nosso caso, técnicos portugueses altamente especializados. O responsável técnico mundial da Fagor Automation de maquinação a 5 eixos, por exemplo, é português e está integrado no I+D da Fagor Automation. Este é um excelente exemplo, da relação ‘win-win’ que estas valências permitem.

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