Por que usar un econder laser?
Informação profissional para a indústria metalomecânica portuguesa
Indústria 4.0

Soluções Trumpf 4.0 asseguram produtividade na Friconde

Luísa Santos12/05/2022

Fundada em 1987, a Friconde evoluiu de uma pequena unidade de fabrico de frio industrial e doméstico para um espaço de 19.000 m2, inaugurado há quatro anos em Vila do Conde e equipado com a mais recente tecnologia de processamento de chapa metálica Trumpf. Além dos equipamentos de corte laser e quinagem, a empresa conta com o software de produção da marca alemã para otimizar todo o fluxo de trabalho, cumprindo assim os requisitos da indústria 4.0.

foto

Da fábrica da Friconde saem os mais variados equipamentos para as cozinhas industriais de vários pontos do globo, desde as tradicionais vitrinas refrigeradas e arcas congeladoras horizontais – neste caso também para o mercado doméstico -, até à mais recente linha de neutros em aço inoxidável fabricada na nova unidade industrial, composta por bancadas, mesas quentes, armários de padaria, ‘hottes’ (exaustores industriais), entre outros.

Paulo Barros, diretor de produção da empresa, explica-nos que a decisão de investir nesta área produtiva surgiu da necessidade de dar resposta à empresa que o grupo tem em Angola e que se dedica a uma atividade diferente da desenvolvida pela casa-mãe: “A Friconde Angola faz montagem chave-na-mão de estabelecimentos como lavandarias, padarias e restaurantes. Durante vários anos, subcontratámos o fabrico de todos os neutros inox que iam para lá. Entretanto, entendemos que tínhamos vantagem em começar a fabricar internamente estes produtos e, há quatro anos, demos o primeiro passo nesse sentido”.

As primeiras experiências foram feitas nas quinadoras mais antigas da empresa. “Rapidamente percebemos que iriamos precisar de fazer um grande investimento em máquinas e ferramentas novas. Visitámos várias empresas que tinham máquinas de diferentes marcas, inclusive Trumpf, que eu já conhecia e de que tinha muito boas referências”, conta-nos o responsável. “Sabia que era a melhor opção para o nosso projeto. Fizemos protótipos de teste nos equipamentos de várias marcas e, apesar de em termos de repetibilidade serem equivalentes, o software e a precisão da Trumpf fizeram toda a diferença”, afirma.

foto

A equipa da Friconde, frente à máquina de corte laser Trumpf TruLaser 5030 fiber.

Um mercado exigente

No fabrico de neutros inox, a qualidade da soldadura dos cantos é determinante para a qualidade final do produto, já que cantos irregulares podem dar origem a acidentes de trabalho e são mais difíceis de higienizar.

Paulo Barros lembra que "para conseguir uma boa soldadura temos de ter um bom corte e garantir uma boa quinagem. Por exemplo, para soldar um canto de um tampo feito com chapa de 1 mm, a aba mais pequena que vai ser quinada tem de se sobrepor à outra em 0.5 mm, caso contrário a máquina de soldadura que temos não funde o material, faz buracos e, nessa altura, somos obrigados a encher esses espaços pelo processo tradicional, com todo o tempo e custo que esse processo envolve. Fizemos o teste e, para soldar quatro cantos, com acabamento, demorávamos 20 minutos. Com o sistema atual, fazemos um tampo completo em dois minutos", garante. "As outras marcas davam-nos tolerâncias demasiado elevadas, que não garantiam uma boa soldadura. A única que nos garantiu tolerâncias pequenas foi a Trumpf. E foi por isso que comprámos a primeira quinadora, a TruBend 3100".

A boa experiência com este equipamento levou a Friconde a adquirir uma nova quinadora topo de gama da Trumpf, desta vez a TruBend 5130, cuja instalação está prevista para este ano.

foto

A precisão da TruBend 5130 garante as tolerâncias necessárias para um acabamento final da peça ótimo, conseguido através de soldadura automática.

foto
O mercado da hotelaria exige equipamentos de elevada qualidade, quer no material, quer nos acabamentos.
A máquina de soldadura é a nossa ‘inspetora de qualidade’. Se o corte e a quinagem não estiverem bem feitos, ela não solda. E, é muito raro isso acontecer.

TruTops Boost

Juntamente com a primeira máquina, a Friconde adquiriu o software Trumpf TruTops Boost, desenvolvido para resolver todas as etapas de um pedido, em trabalho contínuo, do desenho 2D/3D ao NC pronto para programas de quinagem, puncionamento e laser. Graças à biblioteca de quinagem integrada, ao fazer o ‘unfolding’ da peça, o software faz automaticamente todas as correções necessárias em função das ferramentas de quinagem que a Friconde possui. “Além disso, permite-nos fazer a programação das máquinas à distância - evitando tempos de paragem -, e elimina a necessidade de fazer correções, já que as peças saem exatamente com a dimensão que têm de ter, ao contrário do que acontece nos softwares de desenho comuns que têm tabelas de corte genéricas e que, por isso, obrigam a correções manuais posteriores”, diz Paulo Barros. “Não fazemos protótipos, não é necessário. Se no desenho e na simulação não houve problemas, não há necessidade de fazer testes. Começamos logo a produção em série”, assegura.

Corte laser e paineladora

Depois da aquisição da primeira quinadora, a Friconde subcontratou durante algum tempo o corte a laser. Em dezembro de 2019, depois de uma fase de pesquisa, a empresa optou por integrar também essa operação e adquirir a TruLaser 5030 fiber, de 4 kW, equipada com LiftMaster, um sistema de alimentação automática de chapa. Além disso, investiu num extra importante: o PartMaster, que, depois da operação de corte, transporta as peças até ao operador. “Graças a todo este sistema de automatização, e ao facto de a máquina facilitar a separação da peça do esqueleto, conseguimos ter apenas um funcionário a trabalhar na máquina, enquanto o normal seriam dois ou três”, salienta Paulo Barros.

Poucos meses depois, a empresa adquiriu a terceira máquina Trumpf, uma paineladora TruBend Center 7030 totalmente automatizada. “Este equipamento foi o que envolveu uma curva de aprendizagem mais difícil, principalmente porque é um equipamento novo em Portugal”, comenta o diretor de produção, acrescentando que “hoje em dia a máquina é operada por uma funcionária que aprendeu a trabalhar com ela em apenas algumas semanas”.

foto

TruBend Center 7030.

Software de produção: a cereja no topo do bolo

Com a aquisição do equipamento de corte a laser e da paineladora, a Friconde recebeu também o software de produção industrial da Trumpf, considerado pela marca como o seu “ex-libris”.

“O software de produção é o que nos permite ter todo o processo de fabrico otimizado”, diz Paulo Barros. Todos os produtos da Friconde estão registados no software, com o desenho e as características de todas as peças que o constituem devidamente identificadas. “Desta forma, quando chega uma encomenda, ele desencadeia automaticamente a produção de todos os componentes necessários para aquele pedido”.

“Claro que, por trás está um trabalho exaustivo de desenho, codificação e catalogação de cada uma das peças, bem como de definição de processos para cada fase de produção. Mas, esse nosso esforço inicial garante-nos agora um trabalho completamente linear”, refere Paulo Barros. “Além disso, como acontece com outros softwares, ele otimiza a chapa para evitar desperdício de material”, acrescenta.

Após o corte a laser de um componente, o software informa a quinadora que a peça está disponível para quinar e assim por diante, passando por todas as fases do processo até à peça final. Se, em alguma fase do processo, uma das peças é danificada, é automaticamente iniciada a produção de uma nova peça.

“Temos consciência de que, neste momento, usamos apenas cerca de 30% das capacidades do software de produção. Mas é uma segurança sabermos que, no futuro, temos acesso a todo o seu potencial”, afirma Paulo Barros.

foto
Quando saem da máquina de corte laser, todas as peças são etiquetadas de forma a poderem ser rapidamente identificadas em cada estação de trabalho.
“A Friconde é o Ikea do inox”

Crescimento acelerado, apesar da pandemia

Durante a pandemia, a Friconde não só não parou como registou um crescimento de faturação constante. “No segmento das arcas frigoríficas, as vendas aumentaram, principalmente porque o nosso maior concorrente, a China, não estava a conseguir colocar cá produto a preços competitivos”, lembra Paulo Barros.

Em 2021, a empresa faturou sete milhões de euros e tem a curto prazo o objetivo de chegar aos dez milhões. No segmento dos neutros em inox, mais de 90% da produção destinou-se ao mercado externo, nomeadamente a Espanha, França, Alemanha e Angola. No total, a faturação do grupo ascendeu aos 25 milhões de euros.

“Só a partir de março do ano passado é que começámos a fornecer neutros inox ao mercado nacional, que funciona de maneira muito diferente do internacional", diz Paulo Barros, “no mercado português a maioria das peças tem de ser feita à medida, muitas vezes para se adaptarem às particularidades do espaço pré-existente. Isto implica termos uma equipa dedicada a este mercado, bem como períodos mais longos de projeto e de programação”.

Já para o mercado internacional, todas as referências da empresa são standard. Os produtos são enviados para o distribuidor em embalagens individuais, por montar, minimizando assim os custos associados ao transporte. Além de todas as peças que compõem o produto, cada embalagem contém também um livro de instruções em pictogramas, parafusaria, chaves de aperto, tal como faz por exemplo a Ikea. A produção standard é particularmente rápida: “Com os equipamentos que temos, podemos fazer 300 mesas em oito horas de trabalho", diz o diretor de produção.

Atualmente focada no canal Horeca, a Friconde tem capacidade para fornecer qualquer mercado consumidor de equipamentos em aço inoxidável, como é o caso do hospitalar, entre outros. A título de exemplo, Paulo Barros recorda que há pouco tempo tiveram uma encomenda de um cliente que precisava de banheiras em aço inoxidável para instalar num 'spa' para animais de estimação, bem como outro que solicitou o desenvolvimento e produção de funis industriais para o ramo alimentar.

“De qualquer forma, o nosso objetivo estratégico a curto-médio prazo passa por consolidar os mercados atuais e ampliar a exportação para os exigentes mercados do norte da Europa”, afirma o responsável. “Neste momento, o nosso principal problema é a escassez e a constante subida de preços da matéria-prima. Desde o início da guerra, o preço do aço inox que compramos já subiu para mais do dobro do que pagávamos há um ano atrás”, assegura.

foto
Para o mercado internacional, as peças são enviadas em embalagens individuais, por montar, acompanhadas de um livro de instruções em pictogramas, parafusaria e chaves de aperto.

Indústria 4.0: uma aposta ganha

A integração do software de produção Trumpf colocou a Friconde na lista das empresas nacionais que já trabalham de acordo com a indústria 4.0. Paulo Barros diz mesmo que este facto foi decisivo para o atual nível de produtividade da empresa: “o software ‘coordena’ toda a produção e permite-nos saber em tempo real qual o estado dos produtos e encomendas. Desta forma, conseguimos ser eficazes tanto no fabrico, como nas alterações à produção, na comunicação de defeitos, etc.”, salienta.

No futuro, a empresa planeia continuar a apostar nas premissas da indústria 4.0, o que poderá passar pela instalação de um armazém automático e pela robotização de algumas operações, atualmente realizadas de forma manual.

As máquinas Trumpf no combate à pandemia

No início da pandemia, a Friconde participou no projeto do CEiiA, de fabrico de mil ventiladores de emergência para colmatar a falta destes equipamentos no mercado nacional. “Fomos nós que fizemos toda a estrutura metálica dos ventiladores nas máquinas da Trumpf”, recorda Paulo Barros, diretor de produção da Friconde.

A Friconde não fabrica peças, fabrica produtos.

Subscrever gratuitamente a Newsletter semanal - Ver exemplo

Password

Marcar todos

Autorizo o envio de newsletters e informações de interempresas.net

Autorizo o envio de comunicações de terceiros via interempresas.net

Li e aceito as condições do Aviso legal e da Política de Proteção de Dados

intermetal.pt

InterMETAL - Informação profissional para a indústria metalomecânica portuguesa

Estatuto Editorial