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Fabrico aditivo: o elo perdido da cadeia de abastecimento?

Dave Veisz, VP Engineering, MakerBot13/10/2020

A pandemia de Covid-19 expôs dramaticamente a fragilidade das cadeias de abastecimento globais ‘just-in-time’. Neste artigo, Dave Veisz, vice-presidente de Engenharia da MakerBot, analisa as lições que se podem extrair dos recentes acontecimentos para ajudar a construir cadeias de abastecimento mais resistentes no futuro.

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Dave Veisz, vice-presidente de Engenharia da MakerBot.

Não é exagerado dizer que a pandemia de Covid-19 mudou a forma de vida que conhecíamos. De uma perspetiva pessoal, teve impacto na nossa capacidade de nos deslocarmos livremente, e de vermos a nossa família e amigos. Mudou a forma como trabalhamos e a forma como relaxamos.

No mundo da oferta e da procura, o impacto da mesma foi igualmente notável. Uma cadeia de abastecimento eficiente faz parte integrante do sucesso de qualquer negócio. Administrá-la corretamente acelera a entrega de produtos, reduz os custos e evita atrasos que podem ser dispendiosos tanto para o balanço final de uma empresa como para a reputação da mesma. Independentemente da indústria ou do país em que uma empresa opere, a gestão da cadeia de abastecimento deve estar sempre na vanguarda da sua visão, encontrando novas formas de obter produtos a um preço mais baixo e reduzindo esses prazos tão importantes.

O desejo contínuo de rentabilidade e de vantagem competitiva levou as empresas a adotar cada vez mais modelos de cadeias de abastecimento 'just-in-time', eliminando a necessidade de manter inventários vastos e dispendiosos. Como resultado, as empresas podem produzir produtos mais rápido, mais baratos e mais eficientes do que nunca. Mas este aumento da produtividade teve um custo. O processo de reduzir as operações e eliminar tudo o que não seja a redundância mais essencial deixou as cadeias de abastecimento vulneráveis às interrupções de abastecimento, como se verificou de forma clara e dramática com a pandemia de Covid -19.

O custo da inação

Poder-se-ia argumentar que o devastador impacto que a Covid-19 teve nas cadeias de abastecimento não foi uma surpresa. Com efeito, sempre se soube que um evento "único na vida" como a Covid-19 poderia ocorrer e que as magras cadeias de abastecimento de hoje em dia teriam dificuldades para lhe fazer frente. No entanto, o que talvez tenha sido inesperado foi a velocidade a que os acontecimentos se desenvolveram. A indústria automóvel é um exemplo claro, com relatos de que alguns fabricantes se viram obrigados a parar a produção nas semanas seguintes ao surto devido a uma combinação de escassez de peças e medidas adotadas para garantir a segurança dos trabalhadores. O facto é que nas cadeias de abastecimento mundiais atuais, que são mais eficientes, a falta de uma única peça pode fazer com que toda uma linha de produção pare literalmente.

À medida que começamos a sair da crise atual, embora lentamente, é fundamental considerar o que aprendemos com a situação e, o que é mais importante, como podemos aproveitar estes conhecimentos para construir cadeias de abastecimento mais resistentes no futuro, sem deixar de garantir que continuem a ser o mais rentáveis e flexíveis possível.

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As impressoras 3D com capacidades de plataforma aberta são úteis para os criadores que procuram ter muita flexibilidade na seleção de materiais.

Planificação para o futuro

Um resultado provável é que os fabricantes explorem cada vez mais formas de trabalhar com os fornecedores mais próximos da sua localização. As cadeias de abastecimento estão globalizadas, inclusivamente para as pequenas e médias empresas. Esta complexidade adicional das cadeias de abastecimento torna-as mais suscetíveis de sofrer interrupções em tempos como este. O outro fator é que, como foi mencionado anteriormente, as cadeias de abastecimento ‘just-in-time’ são excelentes para o fabrico ajustado, mas ‘just-in-time’ significa que existem menos amortecedores para proteção contra as perturbações. Inclusivamente, o fecho de um único fornecedor pode ter um enorme efeito de contágio que pode parar as linhas de montagem.

O ideal seria que as empresas elaborassem planos que lhes permitissem abastecer-se de peças essenciais de diferentes regiões (tanto locais como estrangeiras). No entanto, isto pode ser difícil de fazer para volumes mais reduzidos. É aqui que entram em cena as novas tecnologias, como a impressão em 3D e o fabrico de PCBA, visto que podem ser uma solução de reserva viável para muitos componentes.

O fabrico aditivo passa para primeiro plano

Inclusivamente antes da Covid-19, muitas empresas já utilizavam o fabrico aditivo para a produção de peças sobresselentes. Entre elas encontram-se os principais intervenientes das indústrias de defesa e ferroviária, onde existem grandes barreiras para a aprovação, assim como da indústria aeroespacial, para a manutenção e reparação. O fabrico com aditivos elimina a necessidade de utilização de ferramentas dispendiosas, o que permite aos criadores imprimir peças de produção de baixo volume a pedido com a especificação exata e no número exato solicitado, reduzindo-se o tempo de espera e protegendo-as das interrupções externas. Utilizando inventários digitais de peças sobresselentes, os fabricantes podem desenvolver um modelo de produção descentralizado, imprimindo ficheiros digitais de peças em 3D diretamente no local onde são necessárias. A capacidade de imprimir peças a pedido desta forma pode reduzir significativamente a carga de inventário das empresas, o que, como já referimos, é crucial para reduzir os custos da cadeia de abastecimento.

Mudar a mentalidade

Apesar das vantagens evidentes que o fabrico aditivo proporciona, nota-se frequentemente uma hesitação das empresas em adotar plenamente a tecnologia. É possível que as organizações prefiram permanecer na sua zona de conforto em vez de aproveitarem as novas oportunidades, apesar de poderem tornar-se muito vantajosas a longo prazo. Isto costuma ser assim por várias razões, entre elas o custo, a acessibilidade ou simplesmente uma relutância geral à alteração das operações comerciais. As empresas podem até já ter sucesso, mas devem continuar a questionar a fiabilidade e a sustentabilidade daquilo que estão a fazer, colocando a si próprias a questão: podemos ser ainda melhores?

A falta de conhecimento sobre o fabrico aditivo é outro obstáculo comum que encontramos. Como um dos principais fabricantes de impressoras 3D, é nossa responsabilidade ajudar a colmatar o fosso que ainda existe, proporcionando orientação sobre a tecnologia apropriada e suas capacidades para assegurar que as empresas possam fazer uma escolha informada.

A primeira pergunta a fazer é: o que quero imprimir e é possível fazê-lo utilizando o fabrico aditivo? Existe uma variedade de impressoras diferentes disponíveis no mercado, todas com diferentes capacidades de materiais, pelo que o mais provável é que os criadores e engenheiros possam encontrar uma impressora que se adapte às suas necessidades. As impressoras 3D com capacidades de plataforma aberta são úteis para os criadores que procuram ter muita flexibilidade na seleção dos respetivos materiais.

Em segundo lugar, quem trabalhará com a impressora? As grandes impressoras industriais exigirão que os funcionários tenham a formação necessária para adquirir as competências necessárias para fazer funcionar a máquina. As impressoras de escritório de qualidade industrial são uma alternativa útil, visto que são mais fáceis de utilizar, exigem menos formação e podem ser configuradas e imprimir peças quase de imediato.

A localização também é um fator essencial a ter em conta. Onde guardaria a impressora 3D se a comprasse? A localização é sempre um ponto central para qualquer empresa que adquira nova tecnologia e isso não é diferente com as impressoras 3D. A utilização de uma impressora de escritório permite-lhe colocar o equipamento onde haja espaço e, em última instância, significa que existe mais espaço para várias impressoras se o rendimento do seu negócio assim o exigir.

E por fim, com que rapidez necessita das peças? Os escritórios de serviços disponibilizam um recurso útil para as empresas que não querem comprar uma impressora 3D diretamente, mas que têm as suas limitações. Este tipo de serviços implica um investimento inicial mais baixo, mas a flexibilidade perde-se ao não se poder produzir a peça tão rapidamente como quando uma empresa compra a sua própria impressora 3D. E, naturalmente, dependendo da localização do escritório, a oferta pode ser afetada por acontecimentos imprevistos, como a realidade global que todos enfrentamos hoje em dia. Por último, o preço da peça é mais elevado, e normalmente, é possível obter um retorno completo do investimento numa impressora interna após apenas alguns pedidos do escritório de serviços.

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A impressão em 3D proporciona uma solução de substituição viável para muitos componentes.

Criando um projeto para o futuro

Qualquer que seja a opção que escolha — ou inclusivamente se chegar à conclusão que o fabrico aditivo não é adequado para a sua organização neste momento — é importante explorar as possibilidades que a tecnologia oferece. A Covid-19 revelou com demasiada clareza a fragilidade dos modelos atuais da cadeia de abastecimento, mas também mostrou o caminho a seguir. É evidente que o fabrico aditivo tem um papel crucial a desempenhar na criação de cadeias de abastecimento mais resistentes e com maior capacidade de resposta, mas é apenas uma parte do panorama. Uma das coisas que a pandemia terá feito, é suposto ter sido pôr em evidência a necessidade de as empresas abrirem as suas mentes à exploração de novas tecnologias e o impacto positivo que as mesmas podem ter. As empresas nunca deixam de se questionar: a nossa cadeia de abastecimento poderá ser ainda melhor?

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