33 ECONOMIA CIRCULAR a nossa autonomia nacional e reduzir a dependência da Europa de outras regiões" em relação às necessidades de material, destaca José Dias. Na visão da APCMC, esta exigência não é disruptiva nem complexa. E justifica: a utilização de materiais reciclados nas obras públicas já é uma prática consolidada, impulsionada por fatores ambientais, económicos e legais. O verdadeiro desafio surgirá quando os produtos forem avaliados por critérios normalizados, como o impacto no aquecimento global, exigindo uma nova abordagem dos fabricantes. A exigência de material reciclado nos produtos de construção levanta, porém, preocupações da parte das empresas quanto à disponibilidade de matérias-primas e ao impacto nos custos. A Technal, marca do grupo Hydro, deixa o seu testemunho e descreve- -se como pioneira na utilização de alumínio reciclado pós-consumo proveniente de janelas, portas e fachadas no final da vida útil: “O principal desafio prende-se atualmente com os restantes componentes que fazem parte de um caixilho, pelo que estamos a trabalhar em conjunto com os nossos fornecedores nessa transição”. A indústria do alumínio é crucial para reduzir emissões, principalmente ao incorporar alumínio reciclado, lembra a Navarra Alumínio. A empresa está, por isso, a investir em parcerias com fornecedores de materiais reciclados e em tecnologias para garantir uma integração eficiente desses materiais, mantendo elevados padrões de qualidade. Além disso, tem explorado técnicas híbridas de construção para criar soluções inovadoras. PASSAPORTE DIGITAL DO PRODUTO O Passaporte Digital do Produto é visto como uma ferramenta essencial para a rastreabilidade, mas levanta preocupações sobre custos administrativos e integração. Para José de Matos, da APCMC, “o setor dos produtos da construção é aquele que está mais preparado para isso, porque há muito que está sujeito às obrigações da marcação CE, que envolvem a emissão de uma declaração de desempenho”, contendo informação normalizada sobre as características do produto e respetivo fabricante. Ainda assim, alerta que um dos principais desafios será “organizar as bases de dados, que, na maior parte dos casos, se encontram dispersas pelos diversos departamentos”. O passaporte digital pode trazer benefícios significativos em termos de rastreabilidade e conformidade, considera a ANEME, estando em linha com as atuais tendências do setor metalúrgico e eletromecânico: “Ao facilitar o acesso a informações cruciais de forma digitalizada e acessível, as empresas podem beneficiar de processos mais eficientes, seguros e sustentáveis, enquanto oferecem maior confiança aos clientes e reguladores”. Na Technal, a transição para o passaporte digital está em curso. “Este instrumento vai trazer benefícios ao nível da rastreabilidade e reciclabilidade dos materiais no final da vida útil, mas também quando se trata Fábrica de alumínio (Fonte: APAL). das manutenções necessárias ao bom funcionamento dos produtos, dada a sua longevidade”, afirma a empresa. No entanto, a Technal alerta para desafios na implementação, como a necessidade de harmonizar sistemas e garantir que toda a cadeia de fornecimento adote este modelo de forma eficiente. Embora olhem para a introdução do passaporte digital como uma iniciativa positiva, a Navarra Alumínios antecipa dificuldades relacionadas com a implementação de sistemas de informação que suportem a nova exigência e formação da equipa para lidar com os requisitos técnicos associados. NECESSIDADE DE APOIOS E MAIOR CLAREZA NAS DIRETRIZES As associações e empresas concordam que a informação técnica sobre as novas regulamentações nem sempre é clara. A Technal e a Navarra Alumínio sublinham que a informação técnica ainda está dispersa e nem sempre é clara, acessível ou suficiente, tornando a conformidade um desafio. Propõem, nomeadamente, a criação de guias práticos e formação específica para ajudar as empresas a adaptarem-se. n
RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx