BM24 - InterMetal

32 ECONOMIA CIRCULAR NORMALIZAÇÃO E IMPACTO NA COMPETITIVIDADE Para José de Matos, secretário- -geral da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção (APCMC), as duas legislações em análise têm em comum “a ideia de normalização de procedimentos, que, espera-se, venha a permitir uma maior eficiência ao longo da cadeia de valor da construção e contribuir para os objetivos da sustentabilidade ambiental, quer dos produtos, quer das obras”. No entanto, alerta que os impactos concretos dependerão “da definição final do muito que ainda está em aberto e, finalmente, da forma como irão ser implementadas pelos variados agentes do setor”. José Dias, presidente da Associação Portuguesa do Alumínio (APAL), considera que o RPC pode trazer maior transparência ao setor do alumínio e garantir um maior alinhamento com os objetivos da União Europeia (EU) para a redução de emissões de gases com efeito de estufa. No entanto, sublinha ser essencial garantir que as empresas que investem na transição ecológica não sejam prejudicadas por práticas de ‘greenwashing’: “Será fundamental que as entidades fiscalizadoras garantam o cumprimento das regras estabelecidas para todos e evitem a entrada de produtos que não cumpram os padrões”, enfatiza. Por sua vez, a Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista (CMM) considera que as novas normas trazem desafios e oportunidades: “Por um lado, será necessário adaptar os processos de produção, melhorar a documentação técnica e investir em tecnologias que permitam cumprir as novas exigências. Por outro, o foco na sustentabilidade poderá abrir novas oportunidades de mercado através da inovação produtiva e da adoção de práticas ambientalmente responsáveis”, analisa. Segundo Maria Luís Correia, diretora-geral da Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Electromecânicas (ANEME), o RPC e o futuro Código da Construção terão um impacto notável na competitividade e sustentabilidade do setor dos materiais de construção, afetando, em particular, o segmento metalúrgico (fornecedor de ferro e aço) e o metalomecânico (fabricação de estruturas e componentes metálicos). Segundo Maria Luís Correia, embora estas novas exigências impliquem investimentos significativos em inovação e adaptação – aumentando os custos de produção, sobretudo para as pequenas empresas –, também se apresentam oportunidades para a modernização do setor, que, sendo o mais exportador da indústria transformadora, já está a investir em soluções que garantam o cumprimento dos rigorosos padrões internacionais de qualidade, segurança e sustentabilidade. INCORPORAÇÃO DE MATERIAIS RECICLADOS A APAL reforça que a reciclagem de alumínio já é um processo bem estabelecido e que, com a melhoria dos processos de refusão, será possível otimizar ainda mais o aproveitamento de materiais reciclados, ampliando “a sua disponibilidade” e otimizando “os seus custos de produção”: “A utilização de produtos reciclados pode aumentar O alumínio é infinitamente reciclável, sem perder as suas propriedades, sendo por isso um elemento fundamental na construção sustentável A ANEME adverte que o RPC e o futuro Código da Construção irão afetar, em particular, o segmento metalúrgico (fornecedor de ferro e aço) e o metalomecânico (fabricação de estruturas e componentes metálicos).

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