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DESCARBONIZAÇÃO | OPINIÃO Energia: onde tudo começa e onde tudo pode acabar 18 Mário Rio Carvalho, Vice-Presidente da Direção da ANEME Tem sido um tema recorrente na agenda da UE, dos países europeus, das empresas e de quem, como a ANEME, representa os seus interesses: a energia. A transição energética e o consenso mais ou menos generalizado, entre pessoas razoáveis, de que ou se faz uma transição energética nos próximos anos, com decisão e razoabilidade, ou os nossos filhos e netos terão vida difícil nas próximas décadas, representa um investimento, um processo e, mais do que tudo, um compromisso comum que tarda em acontecer. Pelo contrário, a sociedade anónima, a sociedade das pessoas normais, questiona todos os dias os efeitos, por vezes devastadores, na economia de decisões políticas precipitadas. Não pretendendo questionar essas decisões por parte dos países europeus, inclusive de Portugal, interrogo-me é sobre como pode ser feita esta transição sem destruir o que resta da atividade industrial na Europa e, em particular, em Portugal. Refiro-me apenas à indústria porque, noutros setores da economia - mobilidade, agricultura ou outros -, as questões são igualmente críticas. O processo de transição energética é longo e tecnicamente muito complexo. São inúmeras as questões que se levantam - da produção, à distribuição, aos montantes ‘astronómicos’ de investimento, ao processo de ‘phasing out’ dos sistemas e tecnologias atuais e, finalmente, ao custo direto sobre o consumidor industrial de todo este sistema. Do ponto de vista do industrial, ou mais prosaicamente do ponto de vista de um sócio da ANEME, as grandes questões que, todos os dias, se colocam são: Quanto é que isto nos vai pesar em custos diretos e indiretos? Durante quanto tempo? Vamos aguentar este impacto? O contexto industrial europeu é, como agora se diz, muito desafiante. De Adam Smith sabemos que a escassez de mão de obra conduz inevitavelmente ao aumento do seu custo.

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