BM24 - InterMetal

ENTREVISTA 12 Neste momento, no mercado nacional, quais são os vossos principais setores cliente? Os nossos clientes estão divididos por diversos setores, nomeadamente no automóvel; na indústria médica, onde os nossos equipamentos são utilizados, por exemplo, para o fabrico de próteses; no setor da energia; no comércio e retalho, abrangendo fabricantes de moldes para produção de embalagens alimentares (desde garrafas de plástico até cápsulas de café); na indústria aeronáutica e aeroespacial, onde temos uma forte presença; na indústria de semicondutores e peças de precisão e, finalmente, na metalomecânica em geral. Mencionou o segmento dos veículos elétricos. Em Portugal já se maquinam peças de valor acrescentado para este segmento? Sim, temos alguns clientes que estão a maquinar vários componentes e peças de precisão para motores elétricos, para posterior montagem e incorporação em automóveis produzidos principalmente na Europa. Nesta área, já se sente uma diminuição do mercado em consequência da concorrência asiática? De facto, temos vindo a assistir a um aumento muito significativo do número de carros chineses na Europa, não apenas por serem mais baratos, mas também pelo design atrativo e pela qualidade que já não está assim tão afastada da dos carros europeus. Isto só acontece porque há vários anos que as empresas europeias se instalaram na China, levando para lá muito do seu know-how e tecnologia. Eu diria, portanto, que nos ‘pusemos a jeito’. E isto, claro, acaba por ter consequências em toda a cadeia de valor. Em Portugal, qual é o segmento de mercado mais significativo para a DMG MORI, em termos de volume de vendas? O nosso principal setor cliente continua a ser o dos moldes. Apesar de muitas destas empresas trabalharem bastante para a indústria automóvel, muitas outras produzem para setores como o dos eletrodomésticos, ou para a área médica que, embora seja um nicho de mercado, consome de facto moldes feitos em Portugal. Em segundo lugar temos a metalomecânica geral, ou seja, empresas que trabalham em regime de subcontratação. Entre os outros setores que referiu há pouco, algum se destaca em termos de potencial de crescimento? Sim, há setores que estão a crescer, como o da tecnologia médica, que inclui a produção de próteses ósseas ou dentárias. Em Portugal ainda não temos muitos clientes neste segmento, mas sabemos que tem potencial de crescimento. No entanto, destacaria o setor aeronáutico e aeroespacial como um dos que tem maior potencial de crescimento em Portugal. Temos vários clientes a trabalhar para empresas destas áreas, em regime de subcontratação, e acredito que esse número tende a aumentar. Como é que a DMG MORI se posiciona no mercado, em termos de relação preço-qualidade? A marca DMG MORI posiciona-se na gama média-alta/alta. Não é uma marca barata, mas se considerarmos a qualidade e durabilidade dos equipamentos, a produtividade que oferecem, a nossa capacidade de assistência técnica e, por exemplo, a rapidez na entrega de peças de reposição, em prazos inferiores a 24 horas, percebemos que é uma marca muito equilibrada. O investimento maior numa fase inicial é diluído por todos estes fatores diferenciadores. Focou um ponto importante: a rapidez na entrega de peças de reposição. Sim, sabemos que os nossos clientes não podem ter uma máquina parada por muito tempo, pois cada hora de inatividade representa uma perda significativa. Por isso, a DMG MORI investiu em vários armazéns inteligentes localizados na proximidade de vários aeroportos, permitindo uma resposta extremamente rápida. Se um cliente solicitar uma peça de reposição até às 15 ou 16 horas (hora portuguesa), receberá essa mesma peça no dia seguinte. Além disso, se necessário, enviamos um técnico à fábrica do cliente para estar presente aquando da chegada da peça e efetuar a reparação do equipamento de forma imediata. Além do conceito de máquinas multitarefa, que outros desenvolvimentos tecnológicos podemos esperar da DMG MORI para os próximos tempos? Temos outras áreas de atuação onde mantemos um desenvolvimento constante, desde o torneamento, fresagem e retificação até à tecnologia de fabrico aditivo a laser. Recentemente, lançámos um novo modelo, a Lasertec 30 SLM 3rd Generation, equipada com quatro lasers. Este avanço tem o potencial de revolucionar o mercado do fabrico aditivo de peças metálicas. O fabrico aditivo era normalmente um processo lento, mas o fato desta máquina possuir quatro lasers permite uma velocidade de produção quatro vezes superior à da primeira geração desta tecnologia. Em Portugal, já é possível ver esta tecnologia em funcionamento. "No passado, precisávamos de três ou quatro máquinas para produzir uma peça que hoje é feita num centro multitarefa"

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