ENTREVISTA 11 O conceito de Machining Transformation (MX), ou Transformação da Maquinação, envolve vários aspetos que vão muito além máquina. Pode explicar-nos em que consiste? Sim, este conceito assenta em vários pilares fundamentais, tais como: • Integração de Processos, ou seja, com um só equipamento conseguimos produzir componentes de elevada complexidade, aumentado assim a produtividade e qualidade dos mesmos, ao mesmo tempo que reduzimos significativamente o tempo de execução; • Automatização: através de um vasto portefólio de soluções, a DMG MORI oferece a oportunidade de reduzir a quantidade de equipamentos individualizados e dispor de uma produção de 24/7; • Transformação Digital ('Digital Transformation - DX'): desde soluções CAD-CAM e pós-processadores até à simulação; • Transformação Verde ('Green Transformation - GX'): todo o conceito foi desenvolvido para impulsionar a ‘transformação verde’ da indústria metalomecânica, atendendo à crescente necessidade das empresas de aumentar a eficiência e a sustentabilidade nos seus processos de fabrico. Isso é alcançado através da integração de processos, automação das máquinas-ferramenta e digitalização. No passado, para construir uma peça, eram necessárias três ou quatro máquinas, produzindo componentes separados que precisavam de ser montados para formar o componente final. Atualmente, com este novo conceito, temos vários centros de torneamento multitarefa (multitasking) que realizam todas essas operações, permitindo obter uma peça completa, produzida com uma mecânica única. Além disso, podemos fornecer a automatização necessária para alimentar a máquina com a peça em bruto e retirá-la depois de acabada. Desta forma, eliminamos vários problemas associados à produção de peças. Por exemplo, a produção separada e posterior montagem dos elementos frequentemente resultava em folgas entre os componentes, causando desgaste. Agora, isso já não acontece. Conseguimos produzir uma peça única, com maior resistência e menor desgaste. E porque é que este conceito é mais sustentável? Sem este tipo de equipamento teríamos de ter, no mínimo, três equipamentos em chão de fábrica: um torno tradicional, um centro de maquinação tradicional e uma máquina específica para, por exemplo, maquinar as engrenagens. Com a integração de todos estes processos numa máquina só, reduzimos o espaço ocupado na fábrica (uma grande vantagem considerando que o preço do metro quadrado em chão de fábrica é cada vez maior) e, ao mesmo tempo, aumentamos a competitividade porque conseguimos produzir mais rapidamente, com mais qualidade, melhor acabamento e menor intervenção humana. Pode, então, ser uma solução para a falta de mão de obra no setor... Exatamente. De facto, estima-se que faltem entre 25 a 30 mil trabalhadores qualificados no setor da metalomecânica. É um déficit muito grande que, do meu ponto de vista, se deve ao enorme desinvestimento na formação, responsabilidade dos vários governos dos últimos anos. É um problema que não terá uma resolução rápida e, até lá, as empresas precisam de continuar a trabalhar. Com estes novos equipamentos, as empresas apenas necessitam de ter um bom programador e a máquina excuta a peça na totalidade. Desta forma, garantimos uma produção 24/7, 365 dias por ano. Tudo isto com a mínima intervenção humana. Esta é também uma das formas que as empresas têm de amortizar o investimento neste tipo de equipamentos, mantendo simultaneamente preços competitivos para concorrer quer no mercado interno, quer no externo. O novo centro multitarefa CTX beta 450TC é a mais recente adição ao portefólio da DMG MORI. Desenvolvido de acordo com o conceito MX, integra operações de torneamento, fresagem, retificação e medição em processo.
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